Doa-se

Doa-se um carinho quebrado
torto, sujo, enferrujado.
Um carinho que já foi doado,
mas foi jogado no cesto de lixo.

Doa-se um carinho quebrado
torto, sujo, enferrujado.
Um carinho que já foi doado,
mas foi jogado no cesto de lixo.

Precisa-se de um professor de canto,
mas que não me ensine a cantar.
Um professor que me ensine qual é meu canto
e me mostre que cada encanto tem seu lugar.

Alugo um lugar onde possa guardar o seu amor.
É um lugar pequeno, mas tem janelas e portas
para que esse amor não se sinta em uma prisão.
Cabem seu amor e os seus segredos.
Seus traumas e seus medos.
Esse lugar, chamo de “meu coração”

Procuram-se mãos que se encaixem nas minhas.
Dedo após dedo, em plena sintonia.
Procuram-se mãos que aqueçam as minhas.
Mãos que juntas, componham sua própria melodia.

Troco um tempo medido pelo relógio
por um tempo medido pela folha que cai,
pelo sol que nasce,
pelo dia que vai.
Quero um tempo medido pela transformação da lagarta em borboleta,
pela nuvem que se transforma em chuva,
pelo roxo que se transforma em violeta.

Procuram-se borboletas de todas as cores.
Borboletas atrevidas dessas que a gente não controla.
Elas moravam no meu estômago e se alimentavam de amor.
Um dia faltou tal sentimento e todas elas foram embora.

Compro uma caixa de ferramentas completa.
Com alicates, parafusos, chaves e martelos.
Preciso consertar algumas coisas aqui dentro.
Apertar parafusos, martelar sentimentos confusos.
Cortar o que em mim eu não mais quero.

Troco a prosa dos dias pela poesia das horas,
dos abraços apertados, das conversas risonhas,
das gargalhadas infinitas.
Troco a prosa das leis pela poesia da liberdade,
da felicidade guardada nos sorrisos,
dos sonhos construídos como origamis coloridos.

Troco pés cansados por pés alados
que me levem bem alto
e não me deixem tocar o asfalto.
Que me carreguem pelas nuvens e pelo vento.
Que me tirem desse mundo, que ultrapassem o firmamento.
Quero pés que me sequestrem quando eu não conseguir mais ficar em pé.

Procura-se um coração fugitivo.
Saiu de noite do meu peito e foi morar em outro, escondido.
Caso encontre, não deixe que venha sozinho.
Peça que traga com ele o dono desse peito querido.
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